Que merda é esta pá, o PSD fez o quê?
Um registo simples e com fontes de toda a traulitada que o partido que governou Portugal durante décadas tem feito, em alguns casos desde antes de tu nasceres.
O Partido Social Democrata foi fundado em 1974, logo após o 25 de Abril, e apesar do nome não tem muito de social-democrata. É um partido de centro-direita que governou Portugal durante largas décadas, alternando com o PS, e que é responsável por algumas das decisões mais marcantes, polémicas e directamente prejudiciais para a vida dos portugueses dos últimos cinquenta anos.
Este não é um partido que foi mal compreendido, pá. É um partido que foi muito bem compreendido e muita gente votou nele na mesma, vezes sem conta. Este site existe para pôr no papel, com fontes e sem papas na língua, toda a merda que este partido fez, disse e propôs. Tira as tuas conclusões.
Criei este site porquê? Porque a memória é curta e os ciclos eleitorais são longos. Ah, e também porque o domínio tava disponível.
Wikipedia — Partido Social Democrata (Portugal)
O Banco Português de Negócios (BPN) foi o maior escândalo bancário ligado ao PSD. O banco acumulou perdas escondidas durante anos enquanto figuras próximas do cavaquismo ocupavam lugares de topo na sua administração: o ex-secretário de Estado Dias Loureiro, o ex-ministro Rui Machete, entre outros. O presidente executivo, José Oliveira e Costa, foi detido em 2008 por suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais, falsificação e abuso de crédito.
O Estado acabou por nacionalizar o banco em 2008 para evitar o colapso. O custo para os contribuintes? Mais de 3,4 mil milhões de euros até ao fim de 2012, com a fatura final ainda maior. O banco acabou vendido ao BIC por apenas 40 milhões de euros, apesar de avaliações independentes indicarem um valor de 110 milhões. O amigo de Passos Coelho, Francisco Nogueira Leite, foi nomeado para gerir os ativos tóxicos que ficaram para o Estado.
O caso expôs décadas de promiscuidade entre o PSD e o sistema financeiro. Como o próprio historiador José Pacheco Pereira disse: "Quase todas as pessoas do escândalo do BPN são do PSD e não perderam a militância."
Wikipedia — Banco Português de Negócios
Jornal de Negócios — BPN só foi vendido à terceira tentativa. E a custo
Esquerda.net — BPN: o assalto laranja ao país
Em 2011, Pedro Passos Coelho chegou ao poder e aplicou o programa de ajustamento da troika com entusiasmo que ia, segundo vários analistas, além do que a própria troika exigia. Cortes nos salários da função pública, cortes nas pensões, cortes no SNS, cortes na educação, aumento do IVA, despedimentos. A dívida pública subiu de 103% para 134% do PIB durante o seu governo.
A frase que ficou para a história foi dita por Passos Coelho numa entrevista em 2011:
"Os portugueses têm de fazer um esforço superior àquilo que é pedido no memorando... temos de ir mais além no empobrecimento."
Em 2016, já na oposição, disse aos deputados do PSD: "Aproveitem bem as férias, que em Setembro vem aí o diabo." Estava a prever o colapso da economia sob o governo de António Costa. O colapso não aconteceu. Em 2017 a economia portuguesa cresceu 2,7%, o maior crescimento desde 2000. Passos Coelho não pediu desculpa.
Wikipedia — Partido Social Democrata (Portugal)
Wikipedia — Pedro Passos Coelho
Sob o programa da troika, o governo de Passos Coelho privatizou em massa: EDP, REN, ANA (aeroportos), CTT, Fidelidade, partes da Galp. A receita oficial foi de 9.300 milhões de euros. O que não disseram foi o custo a longo prazo de perder o controlo de infraestruturas estratégicas do país.
O caso mais caricato foi a TAP. Passos Coelho privatizou a companhia aérea nacional dois dias depois de o seu programa de governo ter sido chumbado no parlamento, enquanto o governo estava em gestão corrente. O governo durou 27 dias no total. A privatização foi revertida pelo governo seguinte.
Em 2017, o PSD votou a favor da abolição dos limites de financiamento partidário por privados, juntamente com o PS e outros partidos, permitindo que todos os partidos aceitem donativos ilimitados de entidades privadas sem obrigação de as revelar. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa aprovou a lei apesar de discordar.
Visão — Nomeações, negócios e privatizações: decisões de última hora dos Governos
Wikipedia — Partido Social Democrata (Portugal)
Em 1979, quando o SNS foi criado, o PSD votou contra. Já na era Pinto Balsemão, o partido tentou revogar vários artigos da lei que criou o SNS. Durante o governo de Passos Coelho, vários hospitais foram entregues à gestão privada, e os cortes no setor da saúde foram dos mais profundos da austeridade.
O Bloco de Esquerda e o PCP documentaram esta posição histórica em 2018, quando o PSD apresentou uma nova proposta para a saúde:
"Em 1979 não votou a favor da criação do SNS, sabemos a tentativa que fez aquando de um Governo liderado por Pinto Balsemão de fazer uma revogação de vários artigos da lei que tinha criado o SNS, sabemos do papel do PSD na criação da actual Lei de Bases que fez uma transferência enorme dos recursos para o negócio privado."
O debate não é novo. O PSD sempre preferiu um modelo misto, com maior peso dos privados. Quem paga essa preferência ideológica são os doentes nas listas de espera.
Público — BE acusa PSD de tentar enganar o país com plano de privatização do SNS (2018)
Em fevereiro de 2025, o Correio da Manhã revelou que a família do primeiro-ministro Luís Montenegro era dona da Spinumviva, uma empresa de consultoria que tinha entre os seus clientes a Solverde, o grupo que gere os casinos de Espinho e do Algarve sob concessão do Estado. A Solverde pagava uma avença mensal de 4.500 euros à empresa. O contrato de concessão dos casinos terminava no final de 2025 e cabia ao governo de Montenegro decidir a sua renovação.
Montenegro recusou durante semanas revelar a lista de clientes da empresa. Quando a revelou, o problema ficou maior, não menor. A oposição exigiu esclarecimentos. Montenegro respondeu com uma moção de confiança que perdeu. O governo caiu. Foram convocadas eleições antecipadas.
O Ministério Público arquivou a averiguação preventiva em dezembro de 2025 por não encontrar indícios de crime. Montenegro ganhou as eleições seguintes. Mas um governo caiu por causa de uma empresa familiar que faturou 650 mil euros em dois anos e cujo principal cliente negociava concessões com o Estado. Fica aí.
TSF — O caso que levou à queda de Montenegro
Visão — Conflito de interesses: cinco perguntas a precisar da resposta de Montenegro (2025)
A Operação Tutti Frutti investigou desde 2018 alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD através de contratos públicos em juntas de freguesia de Lisboa. Em 2025, o Ministério Público deduziu acusações contra 60 arguidos por crimes de corrupção, prevaricação, branqueamento de capitais e tráfico de influência. A maioria dos acusados era do PSD.
Entre os acusados estavam dois deputados do PSD em funções: Luís Newton, que anunciou suspender o mandato, e Carlos Eduardo Reis. O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse em conferência de imprensa que não tinha "falhado absolutamente nada" no inquérito interno que o partido fizera sobre o caso. O inquérito interno nunca foi tornado público.
Sábado — Tutti Frutti: Hugo Soares e os deputados do PSD acusados (2025)
oRegiões — PS e PSD campeões em autarcas investigados
A CNN Portugal documentou que entre 2017 e 2023, pelo menos 191 políticos e detentores de cargos públicos foram constituídos arguidos ou acusados em Portugal. O PSD viu sete ex-governantes constituídos arguidos nesse período: três ex-ministros e quatro antigos secretários de Estado.
Entre os casos mais recentes, o deputado do PSD Joaquim Pinto Moreira suspendeu o mandato após ser arguido na Operação Vórtex por suspeitas de corrupção relacionadas com questões urbanísticas em Espinho, onde liderou a câmara municipal. A deputada Patrícia Dantas foi julgada por fraude na obtenção de subsídio. O ex-ministro António Mexia foi arguido por suspeitas de corrupção ativa.
CNN Portugal — Há 191 políticos a braços com a Justiça desde 2017 (2023)
Isaltino Morais foi ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente no governo de Durão Barroso. Foi mais tarde condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais relacionados com offshores. Cumpriu pena de prisão efetiva. Depois de sair da prisão, candidatou-se à câmara de Oeiras pelo PSD e foi eleito. Depois voltou a ser eleito. Em 2022 foi acusado de prevaricação de titular de cargo político.
Não é uma história sobre um indivíduo. É uma história sobre o que o PSD considera aceitável num candidato.
CNN Portugal — Há 191 políticos a braços com a Justiça desde 2017 (2023)
Em outubro de 2015, o segundo governo de Passos Coelho perdeu a votação do seu programa no parlamento. Durou 27 dias. Desses, 16 foram em gestão corrente. Dois dias após o chumbado, o governo assinou a privatização da TAP, transferindo 61% do capital para o consórcio Atlantic Gateway, à porta fechada.
A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, justificou a decisão dizendo que era "absolutamente inadiável." O governo seguinte reverteu a privatização. Mais tarde a TAP precisou de um resgate do Estado de mais de 3 mil milhões de euros, mas isso já é outra história.
Visão — Nomeações, negócios e privatizações: decisões de última hora dos Governos
Em 2017, o PSD votou a favor de abolir os limites legais de financiamento partidário por parte de entidades privadas. A lei aprovada permitiu que todos os partidos, incluindo o PSD, passassem a aceitar donativos ilimitados de empresas e particulares sem obrigação de revelar publicamente quem doa.
O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa aprovou a lei apesar de ter declarado discordar da medida. A Transparência Internacional criticou a decisão. Ninguém foi responsabilizado. A lei mantém-se.
Wikipedia — Partido Social Democrata (Portugal)
O Governo Regional da Madeira é controlado pelo PSD desde 1976, sem interrupção. Em 2024, o presidente do governo regional, Miguel Albuquerque, foi constituído arguido por oito crimes, incluindo corrupção ativa e passiva, no âmbito de investigações sobre adjudicações públicas e financiamento partidário ilícito.
O presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, foi suspeito de corrupção passiva, prevaricação e tráfico de influência. Isto não são casos isolados: a Madeira tem sido ao longo de décadas um exemplo de confusão entre o partido e o Estado, com nomeações partidárias generalizadas, contratos públicos questionáveis e uma cultura de poder que dura há cinquenta anos sem alternância.
oRegiões — PS e PSD campeões em autarcas investigados
O PSD existe há mais de cinquenta anos e governou Portugal durante a maior parte desse tempo. Tem uma estrutura nacional implantada em todo o país, controlos de câmaras e juntas, redes de influência que atravessam gerações. Não é um partido que vai a lado nenhum.
Muita gente vota no PSD porque é o partido da família, ou porque é a única alternativa séria ao PS, ou porque concorda com as suas posições económicas, ou simplesmente porque é o que conhece. Isso é legítimo. O historial do partido é o historial do partido.
O historial do partido é o historial do partido. Não inventámos nada. Não precisámos.
Wikipedia — Partido Social Democrata (Portugal)
O historial do partido é o historial do partido. Doze secções, todos os factos documentados, todas as fontes verificáveis. Não inventámos nada, não precisámos.
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